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A BARBIE NÃO TRANSA, MAS EU SIM!

16:52:00
Por Luana Milan
Descrição da imagem: Na imagem temos a boneca Barbie deitada com os braços para cima usando lingerie, ela está sob uma luz rosada. Na parte superior, com letras brancas está escrito "A Barbie não transa, mas eu sim" 
A famosa boneca da Mattel, muitas vezes usada para representar nosso ideal de corpos reais, falha em não possuir a principal característica de toda mulher: sua xoxota. O padrão mais desejado de face e corpo ainda hesita em divulgar o que todas temos em comum. O medo de sexualizar a maior ferramenta de formação de princesas do planeta, só reafirma o fato de vivermos em uma sociedade misógina. Mas será que a Barbie não sente tesão?

Não posso falar por ela, mas inúmeras experiências me levaram a crer que muitos me vêem como a Barbie: linda e sem xoxota. Eu tenho algo absurdamente surpreendente para lhes contar: eu tenho uma xoxota. E esse estereótipo não se aplica apenas a mim, mas a maioria das mulheres com deficiência.

Assexuadas ou Invisibilizadas?

Desde o primórdio somos invisibilizadas quando o assunto é sexo. Não vou entrar em todo o contexto histórico acerca da pessoa com deficiência, mas quero frisar que nossos corpos sempre foram escondidos, assim como nossa voz e vontade. Por todo a áurea de exemplo de superação e blá blá blá capacitista, fomos colocadas em uma condição, que muitas vezes não representa nossa realidade.

[Descrição: imagem de uma boneca Barbie nua, sem cabeça e deitada em um fundo branco.
Com isso, transformaram nosso corpo em um lugar secreto e para você acessá-lo precisará unir as 4 esferas do dragão, porque só o mais bravo dos heróis, aquele cuja pretensão seja nos salvar e viver para sempre ao nosso lado terá direito de tocá-lo. Precisa jurar amar na alegria e na tristeza, na saúde e na doença. Mas será que queremos mesmo toda essa burocracia?

Óbvio que devemos ser tocadas com respeito, assim como qualquer pessoa, mas às vezes, a gente só quer sexo, sabia? Sem o compromisso de estreitar laços afetivos, sem a promessa de relacionamento. E ainda mais, sem o cuidado de estarem lidando com uma boneca. Porque, acreditem, a frase que eu mais ouvi até hoje na hora H foi “eu tenho medo de te machucar, você parece uma bonequinha”. Ok, eu posso parecer uma boneca, mas eu adoraria que fosse uma inflável, pelo menos. Porque as de porcelana pegam pó e a Barbie nem xoxota tem.

Estamos nos aplicativos de relacionamento, nas baladas e barzinhos também esperando uma oportunidade de termos um orgasmo. Buscamos por prazer, sexo sem compromisso, trocamos nudes, assistimos pornô e até nos masturbamos. Isso significa autoconhecimento e liberdade. Assumir que sentimos tesão e que, mesmo tendo alguma deficiência, somos sexualmente ativas, descaracteriza qualquer imagem puritana depositada em nós. E é exatamente o que eu adoraria que acontecesse.

Sim, temos tesão!

Então entenda, eu tenho xoxota e eu faço sexo. Não se preocupe se só quiser transar comigo, provavelmente eu também só queira isto. Sem casamento, filhos, um cachorro em uma casinha com cerca branca. Tudo bem quem não se sente confortável com isso também, é um direito, é uma escolha. No entanto, a única pessoa que pode falar sobre minhas escolhas, sou euzinha.

Então vamos nos poupar dos discursos próximos ao que um garoto já ouviu por manifestar que só queria transar comigo: “Você é um escroto por querer isso com ela. Vai comer a guria e abandonar ela.”. Que horror, mas quem me dera, né, gente!

A minha condição física não faz de mim uma Barbie sem xoxota. Portanto, não se sintam acuados quando este for o assunto, só procurem saber quais são nossas escolhas. De resto, um copo de água e um orgasmo não se nega a ninguém. 

Luana Milan Teles tem 25 primaveras de idade é formada em Design Visual e pós-graduada em Marketing Digital. Tem Charcot-marie-tooth tipo 2. Mãe de três felinos, feminista e adepta ao amor livre. Acredita que os bons são maioria. Seu instagram pode ser acessado aqui e o facebook aqui.

A imagem em destaque faz parte do projeto Naked Dolls de Catarina Paulino, mineira de Belo Horizonte fez um tumblr para divulgar este trabalho. Se tiver interesse em conhecer mais, confira uma matéria realizada para o site “Resumo Fotográfico” aqui onde ela expõe os objetivos do projeto, e seu porfolio aqui.

Via:Disbuga

Após luta para evitar entrada pelos fundos, aluno cadeirante da UFRGS chega para formatura pela frente do palco

06:08:00
Foto: Rodrigo Oliveira

Após mais de três meses tentando uma solução junto à Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o estudante de Relações Públicas Alex Viana conseguiu entrar na cerimônia de formatura da mesma maneira que os colegas nesta sexta-feira (10). Uma rampa instalada pela universidade possibilitou que o aluno cadeirante entrasse pela frente do palco do Salão de Atos.


Desde abril, quando procurou a administração da UFRGS, o estudante considerou "constrangedoras" as alternativas oferecidas. Uma seria ser carregado no colo, e a outra seria entrar pela rampa de acesso localizada nos fundos do palco. Com a demora do retorno da instituição, Alex chegou a fazer uma denúncia por discriminação no Ministério Público.


Em nota, a UFRGS informou que uma rampa foi construída pelo setor de serralheria da universidade e que "será montada sempre que houver necessidade para atender de forma segura as solicitações que surgirem" (leia nota na íntegra abaixo).

Nota da UFRGS

A partir de uma demanda do aluno de Relações Públicas Alex Viana para que pudesse participar da cerimônia de sua colação de grau, que ocorre em 10 de agosto, a UFRGS passou a estudar formas de como tornar viável a solicitação de acessibilidade feita pelo estudante. Apesar de o Salão de Atos já cumprir a legislação quanto à acessibilidade, estabelecida pelo Decreto Federal nº 5.296/2004, a cerimônia de colação de grau é bastante específica: consiste no percurso dos formandos pelo corredor entre a primeira e a segunda plateias do Salão com descida por escadaria lateral e, na sequência, subida por escadas até o palco. Diante disso, e reiterando a singularidade da demanda do aluno, chegou-se ao consenso sobre a construção de uma rampa que lhe permitisse o acesso ao palco juntamente com seus colegas, conforme o trajeto requisitado, de forma segura e autônoma.

A rampa foi construída pelo setor de serralheria da Superintendência de Infraestrutura da Universidade e já foi colocada no local, testada pelos formandos e está pronta para ser utilizada na formatura desta sexta-feira. A construção da rampa de acesso ao palco é mais uma opção de acessibilidade que estará disponível no Salão e será montada sempre que houver necessidade para atender de forma segura as solicitações que surgirem.

A UFRGS reafirma seus esforços em adequar os espaços físicos desta quase centenária instituição para oferecer acessibilidade, processo que vem sendo aperfeiçoado para atender de modo mais adequado às pessoas com deficiência.

Via: G1

Marcos Mion: “A escola não deveria achar que faz um favor para a criança com def. ao incluí-la”

14:07:00

O apresentador Marcos Mion costuma postar belas homenagens e reflexões sobre seus filhos, inclusive sobre seu primogenito Romeo que tem Espectro Autista. Em uma de suas postagens ele fala sobre a inclusão escolar e chamou a atenção de muitos, confira:
    
Hoje, fala-se muito em inclusão, o que é uma enorme vitória. Só o fato dessa palavra ter ganhado mais evidência é um grande passo rumo ao que considero o verdadeiro resultado que uma escola deve proporcionar a seus alunos: a formação de seres humanos admiráveis.

Porém, o assunto é abordado pela ótica das crianças que não fazem parte de nenhum espectro e não possuem nenhuma síndrome ou deficiência. Reparem que não escrevi a palavra “normal”. E abro aqui um parêntese, convidando todos a eliminarem essa palavra do vocabulário. Ela vem impregnada de preconceito e ignorância. Afinal, a normalidade depende dos olhos de quem está com a palavra. Alguém que nasceu, por exemplo, com síndrome de Down, não é normal? Normal para quem? Para essa pessoa e para quem convive com ela, é perfeitamente normal.

Outro dia, recebi uma criança na minha casa e ela se referiu a Romeo como uma criança que “nasceu errado”, sem maldade alguma, até com certa ternura. Sentei com o menino e expliquei que não existem crianças que “nascem errado” e que todas elas têm suas características maravilhosas, assim como ele, e que, do ponto de vista delas, ele é que era diferente. Não surtiu muito efeito na hora, mas sei que provavelmente isso aconteceu porque ele nunca conviveu com uma criança especial.

Assim, volto para o tema: inclusão. Quem são os grandes beneficiados? Falo por experiência própria que são as crianças, que têm a honra e o privilégio da convivência com esses colegas. Uma escola não deveria achar que está fazendo um favor para uma criança especial ao incluí-la, e sim saber que está fazendo um bem enorme para os alunos regulares – e também para os professores! Na real, é para todos.

Aprender, na prática, a ser uma pessoa mais tolerante, um ser humano amoroso, compreensivo, sem preconceitos e ter aptidão para aceitar as diferenças é mais importante do que muito do conteúdo ultrapassado que as crianças são obrigadas a engolir e a decorar.

Todo final de ano, Romeo recebe cartas de todos os colegas, aqueles considerados “normais”, expressando sentimentos aos quais essas crianças nunca teriam acesso se não tivessem convivido com ele! São cartas lindas, emocionantes, transbordando de amor, respeito, carinho e gratidão por tudo que puderam aprender e evoluir por estarem ao lado do meu filho.

Sempre ouvimos palavras ainda mais emotivas e gratas da parte dos pais. Enquanto seus filhos davam amizade e sociabilidade para Romeo, recebiam de volta algo que escola nenhuma ensina e que torna seus filhos crianças mais admiráveis, em rota para serem adultos nota 10 em matérias da vida, como cidadania, respeito e contribuição para a sociedade.

A inclusão é necessária para todas as partes.

Conheça Lucas...

17:13:00


Sou Lucas Marques, tenho 23 anos, moro em Patos de Minas – MG, desde pequeno sempre fui muito ativo, gostava muito de jogar futebol e sempre fui alucinado pelo meu time do coração, o Atlético Mineiro (galo). Cheguei a sonhar em ser um jogador de futebol, o que eu não imaginava era que o destino escreveria minha história de uma forma diferente do que eu havia planejado.

Em outubro de 2016 me envolvi em um acidente onde fraturei a 5ª vertebra da coluna torácica, fratura esta que me deixou paraplégico. Desde o princípio não me deixei abater, apesar do momento inicial ser muito difícil, eu não perdi minha alegria de viver, esta, contudo, talvez seja minha maior qualidade. Sempre fui muito alegre apesar dos contratempos, sempre acreditei que tudo que acontece em nossas vidas tem um propósito, além disso, tive o privilégio de ter apoio de minha família e principalmente da minha noiva que a todo momento esteve ao meu lado, sendo a minha base. Acredito que se eu sou feliz foi porque estas pessoas tão especiais estiveram ao meu lado, sendo fundamentais naquele momento difícil em que eu estava passando.

Hoje, quase dois anos se passaram, e muita coisa mudou. Já me adaptei totalmente a cadeira, sei que me tornei uma pessoa melhor do que era antes, aprendi a enxergar a vida com outros olhos e a perceber que cada dia é uma nova chance de viver e de aprender com a vida. Sigo com meu maior sonho que é formar minha família, casar e ter meus filhos. Só tenho que agradecer a Deus pela minha vida, agradecer a Ele por eu ser uma pessoa tão alegre e feliz. 

Finalizo ressaltando que nunca devemos perder a alegria e a esperança de viver!




Cadeira de rodas motorizada ou manual. Qual escolher?

17:31:00


Decidir entre uma cadeira de rodas motorizada ou manual é uma tarefa que requer uma avaliação criteriosa.

O modelo escolhido vai impactar diretamente na qualidade de vida da pessoa que vai utilizá-la.

A escolha da cadeira de rodas ideal deve levar em conta a análise de fatores que vão além das características do usuário, sua rotina e ambientes de circulação.

Comumente, filhos que buscam melhorar a qualidade de vida dos pais e familiares que querem oferecer mais conforto para seus parentes têm dificuldades para eleger um modelo de cadeira de rodas diante de tantas opções.

Eles sabem que diante dos desafios de acessibilidade na realização de atividades do dia a dia, optar por uma solução inadequada pode causar ainda mais dificuldade na mobilidade.

Além disso, a cadeira inapropriada pode gerar problemas musculares, potencializar dores e até mesmo acarretar piora em alguns casos clínicos.

Neste post, reunimos as principais informações sobre cadeira de rodas motorizada e manual para ajudar no processo de escolha.

Cadeira de rodas motorizada: autonomia e durabilidade


Como funciona?

A cadeira de rodas elétrica permite que o deslocamento seja comandado pelo próprio usuário.

Independentemente do comprometimento motor do usuário, os recursos de direção e velocidade da cadeira funcionam por meio de controladores eletrônicos, como joysticks.

Eles podem ser acionados com a força dos dedos, dos pés e até do queixo.

Isso permite autonomia de locomoção, sem gasto energético.

Muitas pessoas encaram a cadeira de rodas como algo limitador, quando, em muitos casos, ocorre justamente o contrário, pois o equipamento se transforma em uma ferramenta de autonomia.

A cadeira de rodas motorizada possibilita que o cadeirante percorra terrenos planos e também vença rampas adaptadas e até desníveis com segurança.

A autonomia, dependendo do usuário, também vai permitir até o uso do transporte público coletivo de maneira segura.

Como a cadeira motorizada não precisa ser “empurrada”, pois seus motores usam energia gerada por baterias recarregáveis, o cadeirante aproveita o convívio social e o direito de ir e vir com mais independência e menos esforço.

Uso indicado

Esse tipo de cadeira de rodas é indicado para pessoas com mobilidade reduzida ou comprometimento do desempenho funcional, mas que tenham habilidades motoras nos membros superiores para acionar o joystick.

Seu uso é recomendado exclusivamente para cadeirantes que apresentem nível de compreensão suficiente para conduzir o equipamento com eficiência e segurança.

Por isso, a venda desse tipo de cadeira leva em conta a condição física do indivíduo, mediante avaliação visual, auditiva e cognitiva.

Comumente, as indicação são para:
  • Pessoas com patologias, como distrofia muscular, amiotrofia espinhal, esclerose múltipla ou lateral amiotrófica, habitualmente têm indicação de uso desse tipo de equipamento.
  • Indivíduos acometidos por AVC, e lesões medulares, tais como tetraplegia e paraplegia, geralmente também recebem indicação de uso de cadeira de rodas motorizada.

Vantagens

Frequentemente, as cadeiras de rodas motorizadas estão associadas a mais liberdade e menor esforço do usuário.

Geralmente, elas:
  • São confortáveis para o usuário.
  • São ergonômicas, garantindo o bem-estar.
  • Exigem menos esforço.
  • Facilitam o deslocamento em grandes distâncias.

Pontos de atenção

As cadeiras de rodas motorizadas podem ser do tipo monobloco ou dobrável em X.

Em geral, as que são dobráveis em X facilitam o transporte ou a sua acomodação na hora de guardar por reduzirem de “tamanho” quando são dobradas. Por outro lado, elas costumam ser mais pesadas.

Já o modelo monobloco pode ter diminuída a altura. Isto, porque o encosto é dobrado sobre o assento.

Um dos cuidados primordiais com os modelos com motor é com a manutenção dos seus componentes eletrônicos.

No entanto, geralmente, por ser fabricada com materiais de primeira linha, costuma oferecer uma durabilidade superior aos modelos manuais.

Qual a melhor cadeira de rodas motorizada?

Monobloco ou dobrável em ‘X’? Aro grande ou não? Para acertar, preste atenção nos detalhes e nos hábitos e necessidades de cada usuário.

A rotina do cadeirante também pode influenciar na hora de bater o martelo de qual a melhor cadeira de rodas motorizada.

Leve em conta o deslocamento feito, a acessibilidade dos locais frequentados e também a presença ou não de um cuidador.

Modelos fabricados no Brasil, por exemplo, têm a vantagem de ter uma rede de assistência técnica especializada mais abundante. Além da presença do fabricante caso ocorra algum problema com o equipamento.

A autonomia em quilometragem da bateria da cadeira de rodas motorizada também é fator a ser considerado. Baterias de autonomia maior não precisam ser recarregadas com frequência, o que dá mais liberdade ao condutor.

O aro da roda também faz diferença. Aros maiores na roda traseira, como o de 20”, são indicados para atravessar pequenos desníveis sem esforço e com conforto, sendo ideais para o ambiente externo.

Dentro de casa ou do escritório, um aro menor, como o de 13”, é mais indicado.

Conheça algumas das marcas mais populares de cadeiras motorizadas:

Cadeira de rodas motorizada Ortobras

Uma marca brasileira de cadeiras de rodas com mais de 30 anos de história no mercado. A empresa tem uma variedade imensa de modelos e tamanhos que tentam atender cadeirantes de todos os tamanhos, facilitando a acomodação de praticamente qualquer um.

Especialistas também garantem que a cadeira de rodas motorizada Ortobras é uma excelente escolha no fator custo-benefício.

Cadeira de rodas motorizada Freedom

A Freedom também é uma marca brasileira, trazendo consigo aquela vantagem de possuir uma boa rede de assistência técnica nas grandes cidades, caso seja necessário.

Seus modelos também são conhecidos por serem leves, alguns modelos também possuem o fechamento em X, características que facilitam o transporte.

Cadeira de rodas motorizada Ottobock

Marca super tradicional alemã de cadeiras de rodas motorizadas e manuais. Conhecida por sua excelente qualidade e durabilidade.

Ottobock também oferece uma possibilidade maior de pequenos ajustes de várias características de seus modelos, como profundidade e altura da cadeira, por exemplo.

Preço da cadeira de rodas motorizada

Como o investimento costuma não ser pequeno, o preço da cadeira de rodas motorizada gera preocupação.

Os valores costumam variar muito dependendo do modelo, marca e aspectos técnicos, como a bateria.

Os modelos mais em conta podem custar cerca de R$ 8 mil, enquanto os mais caros podem chegar a até R$ 20 mil.

De qualquer forma, este não deve ser o fator principal na sua avaliação. Compreender as características de cada modelo e como se adaptam à necessidade do usuário é sempre prudente na hora de escolher a melhor cadeira de rodas.

Cadeira de rodas manual

Como funciona

As cadeiras de rodas manuais são movidas à força humana, ou seja, precisam ser impulsionadas pelo próprio usuário ou por outra pessoa.

Elas contêm manoplas na parte traseira para facilitar o manuseio por parte do cuidador. Infelizmente, por conta de muitas barreiras arquitetônicas existentes no dia a dia, como rampas muito íngremes, os usuários acabam precisando de ajuda de terceiros.

Uso indicado

Esse tipo de cadeira de rodas é indicado para indivíduos com nenhum, baixo ou médio comprometimento dos membros superiores.

Também é recomendado para pessoas sem capacidade de “dirigir” uma cadeira de rodas motorizada, que dependem de um cuidador para se locomover.

Vantagens

A cadeira de rodas manual demanda esforço a partir da atividade física de manuseio para locomoção, contribuindo para a manutenção do peso corporal e condicionamento físico do usuário.

É mais leve do que a cadeira de rodas motorizada e, geralmente, mais fácil de ser transportada.

Além disso, as vantagens da cadeira de rodas manual também incluem:
  • Manutenção mais simples em comparação com o modelo motorizado
  • Funcionalidade em trajetos curtos e pequenos deslocamentos
  • Facilidade para transferência para o carro, ou outro assento

Pontos de atenção

O uso da cadeira de rodas manual em longos trajetos pode causar desgaste muscular, ocasionando fadiga, câimbras e dores.

Além disso, apesar da manutenção facilitada, esses modelos costumam ter menos durabilidade do que os equipamentos motorizados.

Elas costumam ser mais instáveis do que as motorizadas, havendo necessidade de cuidado maior em terrenos acidentados ou inclinados.

Onde comprar cadeira de rodas

Com tantos modelos e especificações diferentes, pode ser uma tarefa complicada comprar cadeira de rodas sem errar.

Para garantir a aquisição sem arrependimentos, a escolha deve ser auxiliada por quem entende do assunto.

Fazer uma pesquisa completa antes de sair às compras é uma boa ideia, mas não pare por aí, procure por indicações e informações de profissionais acostumados a indicar o equipamento.

Como o investimento pode ser grande, e a aquisição de uma cadeira errada pode dificultar ainda mais acessibilidade básica, vale a pena escutar especialistas na hora de decidir onde comprar cadeira de rodas.

 Procurar lojas especializadas é uma boa ideia

Procure por lojas especializadas, onde os vendedores e consultores são pessoas treinadas e que estão acostumadas a lidar com as necessidades e entendem as particularidades de cada tipo de cadeirante.

Além disso, em lojas especializadas, você vai encontrar funcionários que conhecem os detalhes e especificidades de cada produto, podendo indicar o modelo que mais se adapta às necessidades reais de quem vai usar a cadeira de rodas, podendo tirar dúvidas e explicar o funcionamento do seu catálogo.

Conclusão

A melhor opção entre cadeira de rodas motorizada e manual vai depender da especificidade de cada caso.

É preciso analisar todas as variáveis sem perder de vista o principal objetivo da cadeira que deve ser alcançar o máximo da funcionalidade ao usuário, com conforto e segurança.

Por isso, sempre vale alertar para que a compra seja feita com ajuda de profissionais e em lojas especializadas em produtos para saúde e bem-estar.

Gostou deste artigo comparando a cadeira de rodas motorizada e manual? Quer saber mais sobre o uso deste equipamento de mobilidade? Leia outros artigos em nosso blog.

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NÃO É SÓ NO BRASIL - Vídeo mostra jovem com deficiência sendo expulso de mercado por causa de cão guia

16:34:00

Kevin Fermine, jovem de 27 anos oriundo de Toulose em França, foi expulso na manhã de sexta-feira de um supermercado por ter entrado na loja com o cão guia. O jovem tem paralisia cerebral e foi banido do estabelecimento porque o cão podia "lamber legumes" e "cheirar salsichas", segundo declarações do gerente às autoridades. 


O empregado abordou o rapaz e disse: "Por favor, deixe o cão à entrada da loja", oferecendo-se para ajudar Kevin a fazer as compras. O rapaz disse que "era um cão guia" mas nem isso demoveu o gerente que disse que aquela era uma "loja de alimentos" e na entrada está uma placa a dizer "proibida a entrada a cães". 



Todo este episódio foi filmado por Kevin que já tinha sido expulso do mesmo supermercado na semana anterior.

A polícia foi chamada ao local e o rapaz foi convidado a sair da loja novamente. A cadeia de supermercados Carrefour já veio publicamente pedir desculpas e afirmou que está ao lado das pessoas com deficiência, tendo já contratado cerca de 6500 funcionários com deficiências.

A Carrefour France promete ainda realizar ações de sensibilização tanto a nível de funcionários como dos cidadãos em geral.

Justiça condena empresa de ônibus por constrangimentos causados a deficiente

05:11:00


A juíza Maria Valéria Lins Calheiros, titular da 5ª Vara Cível da Capital, condenou a empresa Real Alagoas a pagar R$ 5 mil por danos morais a um deficiente físico que passava por constrangimentos ao tentar usar os ônibus da empresa. A decisão foi publicada no Diário da Justiça dessa quarta-feira (1º).

O autor do processo alegou que utiliza cadeira de rodas para se locomover, e que por ser estudante, precisava fazer uso do transporte coletivo para se deslocar até o seu local de ensino.


No entanto, a linha de ônibus "José Tenório - Iguatemi", na época de responsabilidade da Real Alagoas, não possuía adaptação especial para transportar cadeirantes, segundo o autor do processo, fazendo com que o estudante passasse por humilhações diárias, tendo que pedir ajuda a outras pessoas no embarque e desembarque dos transportes coletivos, além do desgaste físico.

Em depoimento, testemunhas afirmaram que muitas vezes o ônibus parava longe da calçada, dificultando o acesso do estudante ao transporte, ou simplesmente não parava. Também relataram que nos casos em que havia o elevador para deficientes, os motoristas às vezes informavam que o equipamento não estaria funcionando. Em um dia, o rapaz caiu do elevador, porque não foi colocado corretamente, segundo uma testemunha.

A magistrada fundamentou a determinação de pagamento de danos morais ao estudante. "Restou esclarecido que o autor foi submetido à situações vexatórias, por parte dos funcionários da Ré - leia-se motoristas dos ônibus -, que lhe causaram constrangimento suficiente para produzir repercussão negativa em sua esfera psíquica, e provocar-lhe dor emocional", destacou.


Consta no processo que oficiais de Justiça verificaram que dos 12 veículos que faziam a linha "José Tenório - Iguatemi" em abril de 2013, quatro eram adaptados portadores de deficiências. Já em agosto de 2017, todos os ônibus da empresa estavam adaptados. Também foi apurado que a Real Alagoas deixou de operar a linha em questão, a partir de janeiro de 2015.

Adriana Abreu Dias - a mulher com deficiência que trouxe fatos preocupantes sobre nosso país

17:22:00


No dia 3 de agosto de 2018 ocorreu em Brasília a primeira audiência pública para discutir a ADPF 442, que trata da descriminalização do aborto no Brasil. 

Um dos discursos mais impactantes foi da Antropóloga Adriana Abreu Magalhães Dias, ela é uma mulher com deficiência e foi representar o instituto Baresi.

Já no início ela agradece o convite e ainda faz um pedido aos demais "por favor, nunca falem por nós, nem sobre nós, sem a nossa presença".

Foram 19 minutos de fala e durante este tempo ela fez um belo discurso onde trouxo muitas informações preocupantes sobre meninas e mulheres com deficiência nos dias atuais. São fatos pouco falados, por isso hoje dedicamos esta postagem para destacar alguns trechos retirados da fala da Dra. Adriana.

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"... A situação de maior vulnerabilidade das mulheres com deficiência no acesso a saúde sexual e reprodutivo torna ainda mais urgente a discriminação do aborto..."

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"...Somos nós historicamente, a população de mulheres esterilizadas compulsoriamente..."

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"...Barreiras atitudinais (mitos, tabus, preconceitos), arquitetônicas e comunicacionais fazem com que nós enfrentamos diversos obstáculos para acessar nossos direitos sexuais e reprodutivos..."

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"...Não há educação integral sexual nas escolas do Brasil, então imagine como é para uma mulher cega, ou surda, para encontrar acessoa a informação sobre sexualidade ou direitos sexuais e reprodutivos..."

~*~

"...Na barreiras atitudinais podemos citar a dificuldade que temos para conversar com os médicos sobre nossa sexualidade. Para eles a nossa sexualidade ativa não é atraente, para eles nós somos estéreis, para eles sempre geraremos filhos com deficiência e não teremos condições de cuidar deles. Estes esteriótipos fazem com que se quer recebemos informações confiáveis sobre anticoncepção..."

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"...Não há, se quer, na maior parte do país,instalações e equipamentos acessíveis a mulheres com deficiência..."

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"...As meninas com deficiência são as maiores vítimas de violência sexual na casa, na escola e na rua. Porém, estas mulheres e meninas sequer conseguem informar que foram abusadas e sequer conseguem ser entendidas..."

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"...Meninas, e mulheres, com deficiênciasão as principais vítimas de abuso sexual. Mais de 70% das cegas, 60% das surdas e 90% das meninas com deficiência intelectuais. É injusto ameaçá-las de cadeia quando elas não querem seguir com a gestação..."

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"...As meninas e mulheres com deficiência acabam vivendo o capacitismo de forma solitária, porque é comum que ela seja a única da família que tem deficiência, e sua experiência única fazendo com que muitas vezes ela não encontre acolhimento nem mesmo na família..."

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"...Assim como qualquer outra pessoa, qualquer outra mulher, as mulheres com deficiência também devem ter o direito de decidir como desejam formar famílias..."

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"...A única maneira legitima de reduzir o número de abortos em casos que deficiências são detectadas, é garantir a proteção integral aos direitos das pessoas com deficiência que vivem com deficiência. Serviços, saúde e escolas com equipes treinadas para inclusão, políticas de suporte mulheres e famílias cuidadoras, maiores incentivos a inclusão no mercado de trabalho e uma arquitetura social favorável a diversidade aos corpos e vivências são alguns exemplos. Apenas assim seria possível garantir que as mulheres grávidas não tomem decisões baseadas no medo efetivo de serem abandonadas pelo Estado, pela comunidade e pela família..."

Assista e compartilha a vídeo completo da fala de Adriana:

Conheça Emanuel...

16:47:00

Olá, me chamo Emanuel Messias, tenho 21 anos, atualmente moro em Natal RN, nasci com uma doença chamada mielomeningocele, porém isso nunca foi um problema pra mim.

Sempre fui muito ativo, meus pais sempre me passaram que eu não era diferente de ninguém e sempre fiz tudo que as pessoas "normais" faziam, quando criança falava que queria ser motorista de ônibus, sempre fui apaixonado por essas maquinas. 

A vida da pessoa com deficiência não é fácil, sabemos, barreiras pra enfrentar todos os dias, porém, pra mim a parte mais dura foi sem duvidas a adolescência, momento onde tudo é intenso, vários questionamentos, eu queria ser igual meus colegas, correr, jogar bola, eu passei a me auto rejeitar, ver meus colegas com relacionamentos e eu não.

 O tempo passou e eu mudei meus pensamentos, vi que eu podia ser e fazer o que eu quisesse, atualmente sou estudante de engenharia elétrica, viajo pra cidade da minha mãe, saio com os amigos quando sobra tempo, tive alguns relacionamentos, tenho uma vida super independente com a vida em bastante mudanças.

Meu maior sonho hoje é fazer um mestrado e doutorado na minha área exercer a profissão que hoje sou apaixonado.

Gosto de fazer novas amizades, quem tiver interesse pode me seguir no instagram @emanuelmessias12


O diferente não deve ser tratado como igual

16:36:00
Por Bianca Wandeman


Vejo as pessoas em uma busca incessante pela igualdade, e faço parte desse time, acredito mesmo que no mundo de hoje precisamos lutar pela igualdade dos direitos humanos. Acontece que tenho medo de, nessa luta, esquecermos que somos de fato essencialmente diferentes.

Digo isso com propriedade, pois minhas condições de deficiente física me fazem ser diferente em meio aos iguais. Por um tempo lutei para ser um desses iguais, mas a vida me mostrou que eram as minhas diferenças que faziam de mim, eu. Lutar pelos meus direitos na sociedade é totalmente diferente de lutar para que eu fosse tratada como uma pessoa sem limitações.

As limitações existem e são visíveis, e eu necessito muitas vezes ser tratada de forma diferente. Vagas para deficiente, prioridade nas filas, banheiros exclusivos, locais reservados, são alguns exemplos de que eu realmente preciso ser tratada de forma diferente.

Escrevo isso pois vejo muitos confundindo as coisas. Lutar pelos seus direitos como cidadão, como homem, como membro da sociedade é completamente diferente de querer que todos sejam iguais. Para mim, a luta pela igualdade é a luta para que cada um seja tratado na sua individualidade.

Muitos que me conhecem, já chegaram a me dizer que não conseguem me ver como uma cadeirante, e que bom que seja assim, é sinal de que minha personalidade fala mais alto que minhas limitações físicas. Mas isso não pode ser deixado de lado, sou de fato uma cadeirante, tenho meus limites, tenho minhas necessidades, minhas diferenças e em diversos momentos preciso ser vista com outros olhos.

Por isso digo e afirmo, não lute por igualdade sem saber o que isso significa. Lute por ter o direito de ser você, com suas diferenças. Precisamos fazer com que nossa luta seja pela diversidade e pelo respeito as diferenças. Mulheres precisam ser vistas diferentes dos homens, afinal somos, mas isso não pode nos privar do direito a vida. Negros e brancos, são diferentes sim, e quanta beleza há nisso, ser diferente é completamente diferente de ser desigual.

Desigualdade segrega, separa, diminui. Diferente, não. Já ouviu aquela história de que opostos se atraem? Eu ousaria dizer que os diferentes se atraem. Sonho com um mundo onde ninguém queira ser igual a ninguém, onde não exista moda para ninguém seguir, não exista padrões! Um mundo onde nossas diferenças sejam evidenciadas e acima disso, sejam respeitadas.

Lego irá comercializar peças em braille para alfabetizar deficientes visuais

16:56:00
Ulisses Razaboni, Felipe Luchi e Leandro Pinheiro, criadores do projeto
Educativo, estimulante e, ao mesmo tempo, muito divertido, não é por acaso que o Lego é um dos brinquedos mais populares do mundo, e seu potencial pedagógico é imenso, especialmente para crianças com necessidades especiais. Foi pensando nisso que a equipe de criação de da agência Lew’Lara\TBWA desenvolveu o Braille Bricks, uma simples porém brilhante adaptação das clássicas peças coloridas que transformou cada uma em uma letra do alfabeto braille – um brinquedo perfeito para ensinar crianças com deficiência visual a ler e escrever.



Como as peças originais eram de fato semelhantes ao padrão da linguagem braille, a mudança conceitual era simples: criar peças de Lego que tivesse as bolinhas de encaixe exatamente como as letras do alfabeto para cegos.

Da ideia à realização passou-se um ano, e o projeto originalmente foi disponibilizado no Creative Commons.



Passado um tempo, no entanto, com o grande sucesso e a utilização em diversas escolas, a Lego finalmente abraçou o Braille Bricks, que agora será comercializado em escala global.

Aprender a ler e escrever é o mais importante passo para a inserção social e o desenvolvimento de um futuro cheio de potencial também para quem é deficiente visual, por isso o impacto do projeto distribuído pelo mundo será enorme.



A utilização de um brinquedo tão popular, e principalmente tão divertido, para se ensinar algo importante e difícil como o braille pode significar uma verdadeira revolução – e a definição do verdadeiro propósito que pode haver em um desenvolver brinquedos educativos sobre o futuro de quem realmente importa: as crianças.


INCLUSÃO NO MUNDO DA MODA

05:09:00
Por: Bruna Beatris Berghan


A moda inclusiva é destinada para as pessoas com deficiência. O objetivo principal disso é simplificar a ação da pessoa ao se vestir, além do conforto, design e o estilo. A inovação na criação das peças é algo que é levado em conta. 

Vitoria Cuervo é estilista e criou um projeto referente a moda inclusiva, o sucesso foi tão grande que ela foi convidada a participar da TEDx, veja:




Ao se fazer moda inclusiva, deve-se lembrar das modelos com deficiência. Elas são responsáveis por representar no mundo fashion, as pessoas com deficiência. 

Países como Alemanha, Inglaterra e França são avançados na inclusão dessas pessoas na moda. Ao fazer trabalhos como modelo, elas acabam se aceitando mais e transmitindo isso para as outras mulheres.

Isso foi o que aconteceu com a jovem Chiara Bondi, de 17 anos, que vai desfilar na passarela do Miss Itália. Chiara tem uma prótese na perna esquerda, que foi amputada devido um acidente de trânsito em julho de 2013.

Patrícia Mirigliani, organizadora do evento, recebeu um pedido da modelo. Como Mirigliani promove que o concurso aplique a beleza sem fronteiras, ela aceitou ao pedido.

Chiara é matriculada na escola clássica e é barista sazonal em Tarquinia, sua cidade natal. Ela se inscreveu nas seleções do Miss Itália regional. Para ela o concurso oferece a possibilidade de transmitir a sua coragem, compartilhando sua experiência e mostrando que sua deficiência não implica em ela praticar esportes, sua vida social e participar de concursos de beleza.

Nesse trabalho, a beleza é mostrada no olhar, no sorriso e nas atitudes. Além disso, a cadeira de rodas, órteses, próteses e muletas são acessórios da moda.



Projetos de Chiara:

A jovem também se uniu com Lorenzo Costantini, de 26 anos, que perdeu uma perna em um acidente de trabalho. Os dois realizam encontros com estudantes das escolas de Roma e Viterbo, para contar suas histórias e dividir suas ideias. 

Os dois também se juntaram ao projeto SuperAbile que foi concebido pelo vereador Bassano Romano e Alfredo Boldorini. Ressaltando que no dia 15 de julho, é comemorada na Itália, o Dia do Orgulho das Pessoas com Deficiência.

Foto: Divulgação / Agência ANSA

"SURDOCEGUEIRA"- A deficiência que ainda é um tabu!

12:46:00


Oi pessoal, na época da Copa viralizou um vídeo onde um rapaz surdocego acompanhou um jogo de futebol através da libras tátil. Ou seja, por ele não escutar e não enxergar ao mesmo tempo, único modo dele entender o que o intérprete de libras dizia era tocando suas mãos para identificar os gestos do intérprete.

 Caso não tenha visto, assista o vídeo aqui em baixo:




Até então eu não conhecia a Surdocegueira e fiquei muito curiosa para saber mais sobre o assunto. E para minha surpresa, algumas semanas depois participei de uma reunião onde conheci a Fernanda Falkoski que foi convidada a participar do encontro para falar justamente sobre essa deficiência. 

Foi um momento de muita aprendizagem, percebi o quanto é importante abordar esse assunto pois existem muitos recursos que facilitam a comunicação com estas pessoas, mas por ser pouco conhecido, o poder público acaba não os oferecendo e tão pouco qualificando seus profissionais para atende-los. 

Por isso, pedi para a Fernanda explicar pra gente um pouco mais sobre essa "nova deficiência"...

Olá! Sou a Fernanda Falkoski estudante, pesquisadora e principalmente militante na área da surdocegueira. Na última semana conheci a Carol e fui desafiada por ela a escrever um pequeno texto falando a respeito da surdocegueira para o Cantinho Dos Cadeirantes. Agradeço muito a possibilidade de poder falar sobre algo que me é tão importante e desafiador, quando vou dar palestras costumo iniciar com a seguinte frase...

“10 de maio.
Hoje eu conheci uma alma.
Uma alma muito pequena, frágil, uma alma presa.
Mas eu vi brilhar pelas barras de sua cela.
No início pensei que era uma selvagem... um pequeno animal.
Mas ela estava esperando por mim na árvore.
Como podemos nos comunicar com essa menina fechada na noite e no silêncio?
Como falar com ela?
Como escutá-la?
Como será viver na escuridão e no silêncio absoluto?”
Filme A linguagem do coração, 2014

Sou membro do Grupo Brasil – Grupo Brasil de Apoio ao Surdocego e ao Múltiplo Deficiente Sensorial que dentro os 27 estados brasileiros tem representação em 18 deles, aqui no RS, atualmente, sou uma das representantes.

Seguem algumas linhas que têm como objetivo esclarecer quem é esse público. A primeira e mais importante definição foi reformulada ano passado no encontro do Grupo Brasil e trás que “Surdocegueira é uma deficiência única que apresenta perdas auditiva e visual concomitantemente, em diferentes graus, o que pode limitar a atividade da pessoa com surdocegueira e restringir sua participação em situações do cotidiano, cabendo à sociedade garantir-lhe diferentes formas de comunicação e Tecnologia Assistiva para que ela possa interagir com o meio social e o meio ambiente promovendo: acessibilidade, mobilidade urbana e uma vida social com qualidade. (Grupo Brasil, 2017)”.

Pensar em uma pessoa com surdocegueira não é pensar no somatório de duas deficiências, a visual e a auditiva, mas sim pensar em uma terceira, ou seja, a surdocegueira é uma deficiência única e não a soma de outras. 

A grande dificuldade hoje é compreender a classificação existente, fato que gera na maioria das vezes o não reconhecimento das pessoas. Podemos ter:


  •  Uma pessoa com surdez e baixa visão
  •  Uma pessoa com deficiência auditiva e cegueira
  •  Uma pessoa com cegueira e deficiência auditiva
  •  Uma pessoa com surdocegueira sem resíduos visuais ou auditivos


Esta última é a mais difícil de acontecer e por vezes pensa-se se apenas eles sejam considerados pessoas com surdocegueira. Ainda temos a distinção entre a surdocegueira congênita (a pessoa que nasce com a deficiência ou a desenvolve antes dos 5 anos de idade) ou a adquirida (aquela que a pessoa vai adquirir com o passar dos anos).

Posso citar exemplos de pessoas com esta deficiência que se destacam em diferentes âmbitos da sociedade:

 Giovana Pilla é judoca paralímpica e pessoa com surdocegueira adquirida (síndrome de Usher – baixa visão e deficiência auditiva) de Canoas – RS, tem mais de 300 medalhas em campeonatos, sua atuação se dá tanto com pessoa com deficiência visual ou auditiva, quanto com pessoas sem deficiência. 

Lara é outra pessoa com surdocegueira adquirida (síndrome de Usher – baixa visão e surdez) de Belo Horizonte – MG, que tem formação como bacharel em Sistemas de Informação pela PUC-MG e é educadora social da Feneis. Também temos a jovem Janine Farias que é uma pessoa com surdocegueira congênita (sem resíduos) de Barreiras – BA, que está na faculdade de pedagogia.

Eu e Lara estamos nos mobilizando para participar da 1ª Conferência para Jovens Pesquisadores na área da surdocegueira em Moscou na Rússia, em outubro desse ano e representar o Brasil, além de apresentar sobre os trabalhos e pesquisas que vem sendo realizados no país. 

Como nosso trabalho é voluntário, não temos condições financeiras para arcar com as despesas. Dessa forma, criamos uma vakinha online e também realizaremos um Buffet de Cachorro-quente para arrecadar fundos.

Quem tiver interesse em colaborar, seguem formas de contato: https://www.vakinha.com.br/vaquinha/surdocegueira-e-o-brasil-representados-em-moscou

Também é possível acompanhar nosso trabalho por meio da página Surdocegueira RS ou pelo e-mail surdocegueirars@gmail.com

Desde já agradeço a colaboração e atenção de todos e me coloco a disposição para mais esclarecimentos e também trocas.

Caso você tenha interesse em fazer um curso online e gratuito sobre LINGUAGEM DE SURDOCEGUEIRA, clique AQUI!
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