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Beck sempre foi rejeitada quando mostrava suas costas, mas isso a deu coragem para fazer ensaio fotográfico e assumir o seu corpo!

17:22:00


Aos quatro anos, Becky foi diagnosticada com escoliose, o que lhe deu uma curva grave na coluna. Ela agora precisa de uma cadeira de rodas para se movimentar e ás vezes também tem paralisia aleatória que pode durar semanas.


Becky tem lutado com a sua confiança e muitas vezes se sente insegura. E decidir fazer uma série de auto-retratos - focando inteiramente em seu corpo - foi um grande desafio.

"Sempre foi algo que eu queria fazer, mas nunca tive a coragem"..."Até que um dia encontrei uma fotógrafa que fotografou pessoas com escoliose. Ela também tinha escoliose, e eu achei incrível!", disse Beck.

Becky acabou recebendo algumas fotos tiradas por essa fotógrafa, o que lhe deu confiança para concentrar seus dois projetos universitários focando seu corpo e sua deficiência.



Isso resultou em "I'm Fine", um projeto para o qual Becky posou para auto-retratos de topless em uma cadeira de rodas.

"Eu só queria uma maneira de mostrar minha deficiência, mas também dizer a todos que estou bem, não vou quebrar se você me tocar...", explica Becky.

O projeto inicialmente começou como uma maneira para Becky explorar o namoro de pessoas com deficiência, mas lentamente se transformou em um projeto sobre auto-aceitação e desafiando a percepção da beleza das pessoas com deficiência.

Através da internet Becky teve alguns namoros on-line, mas ela só usava fotos que mostravam seu rosto.

"Eu estava muito insegura de mim para mostrar minhas costas", diz Becky. - E eu não queria que as pessoas me julgassem.

Becky também enfrentou dificuldades na hora da "revelação" de sua deficiência, ela estipulava datas mas tinha medo de ser rejeitada. 

"Eu acreditava que se eu falasse com alguém por algum tempo e naturalmente tivéssemos uma conexão, então não faria diferença para eles assim que eu lhes contasse sobre minha deficiência"... "Infelizmente, eu estava errada!"... " Falei com vários caras, às vezes por meses, e assim que eu lhes contava eles simplesmente começavam a desaparecer.", conta Beck.



O projeto está respondendo a essa experiência, mostrando a todos que não há nada errado, Becky é totalmente capaz de namorar, e que ela é capaz de ser sexy, também.

Becky nos disse: 'Acho que é realmente importante ter mais pessoas com deficiência na mídia, sendo retratado como sexy, porque por que não deveríamos?

"Todos nós deveríamos ser feitos para nos sentirmos lindos. Todo mundo é bonito de uma maneira diferente e que deve ser comemorado."


"Quando comecei a fazer as fotos, eu estava realmente nervosa... Eu me senti muito exposta e quando comecei a pensar que essas fotos seriam vistas por todos os meus professores e colegas, isso me assustou mais ainda!..."

"Eu realmente me expus, mas fico feliz por ter feito isso porque minha auto-estima e confiança foi crescendo."

Além dos auto-retratos de topless, Becky também criou uma peça de arte interativa em que ela foi pintada como uma estátua, e pediu às pessoas para cobri-la com "handprints" (suas mãos sujas de tinta).



Suas costas eram o último lugar que as pessoas tocavam em seu corpo. É emblemático, é algo que Becky lida diariamente - as pessoas sentem que têm que tratá-la de forma diferente por causa de sua deficiência.

"Acho que às vezes as pessoas precisam lembrar que só porque alguém tem uma deficiência, não as torna diferentes. Você pode falar com eles como qualquer outra pessoa."

A mensagem de seu projeto é simples: não julgue alguém com base na aparência de seu corpo.

"Não basta olhar para alguém e assumir algo"..."Não olhe para mim e veja minhas costas e me exclua. Sou como você!", diz Beck.


DESABAFO DE UMA JOVEM CADEIRANTE - Ser deficiente é mais difícil para você, do que pra mim...

17:03:00
Escrito por Lilian Kaytt



Quando eu era menor, sempre me faziam a mesma pergunta: “você acha que um dia vai andar normalmente?...” E eu sempre respondia: “sim!...”. 


Porém, isso foi até eu me dar conta que esse desejo de eu andar normalmente lá no fundo não era meu, pois percebi que cadeirante é considerado fora do normal para as outras pessoas.

 Antigamente eu não me via diferente, sempre aceitava ser quem eu sou e aceitava o meu corpo exatamente como ele é e achava que todas as pessoas a minha volta faziam o mesmo... Até perceber que não era bem assim

Entretanto, todos nós, temos que passar por essa fase cheia de turbulência chamada adolescência, não é mesmo? Você já parou para pensar o que é ser um(a) adolescente cadeirante? Eu posso garantir para vocês que não é nenhum milagre transcendental ou divino de qualquer tipo. É, basicamente, a mesma coisa para todo mundo.

Contudo, a maior dificuldade não é a física, mas sim, a social. 

É perceber que apesar de eu me sentir como uma pessoa comum, na maioria das vezes, eu sinto como se as pessoas que não me conhecem e me tratam como algo menor do que eu realmente sou por causa da deficiência, ou ainda me enxergam como "super heroína" e da mesma forma me distancia do ser normal que eu sou. 

As pessoas que me veem e sempre me dizem frases tipo: “Como você é inteligente!” ou “nossa você é bonita!” e eu não consigo deixar de completar mentalmente: “...para uma cadeirante.” Como se, qualquer uma dessas qualidades fosse algum tipo de milagre! 

Existe um estigma muito forte em relação aos PC’s (pessoas com Paralisia Cerebral) por causa das sequelas na fala, na coordenação motora e na habilidade cognitiva. Existem graus diferentes para cada um e o meu é só nos membros inferiores e um pouco nos braços, então é natural que depois que eu diga que tenho Paralisia Cerebral, a pessoa fique surpresa por me ver falando. 

Isso acontece muito mais do que eu gostaria, e aposto que várias pessoas, com outras patologias, também passam por isso. 

Essas situações só servem para reforçar o fato de que a pior parte da deficiência, não é a dificuldade do corpo, e sim crescer e perceber que a sociedade não te trata como a pessoa que você sabe que é. E que poucos irão me conhecer realmente como sou. 

Vem aí a primeira cadeira de rodas capaz de subir escadas

18:24:00


Escadas. São a maneira mais barata de construir um acesso ao piso superior de uma casa. São também um obstáculo para cidadãos com mobilidade reduzida. E embora já seja possível encontrar rampas de acesso em quase todo o lado, nem todas as casas e prédios têm um. E nem falamos da dificuldade de acesso de cadeiras de rodas aos transportes públicos…

Para resolver o problema, surgiu o projeto Scewo. Criado por um grupo de jovens engenheiros suíços, estes já conseguiram demonstrar a tecnologia que estão a desenolver num exemplar experimental, que consegue subir escadas e entrar e sair de autocarros. Mas este modelo experimental, embora no vídeo pareça trabalhar bem, ainda tem alguns problemas que deverão ser resolvidos este ano, quando o grupo de criadores montar o primeiro protótipo funcional.

O projeto já foi apresentado ao público em certames na Suíça, mas querem financiar o projeto a nível internacional. Para isso, a cadeira de rodas Scewo está a ser financiada em Patreon.


Via:www.motor24.pt

Conheça Suellen Calixto...

16:35:00

Olá, me chamo Suellen Gomes Calixto, tenho 26 anos, casada, moro em Taubaté, interior de São Paulo, bacharel em Administração
Aproximadamente aos 4 anos fui diagnosticada com a neuropatia de Charcot Marie Tooth... Andei até os 16 anos...
Mas a minha vida toda eu ja sabia q iria parar de andar em algum momento, pois tenho um irmão com o mesmo diagnóstico... Sobre a doença, quando criança, caia mais q o normal, fui muito "zoada" pelas outras crianças as quais convivia ( escola, vizinhança, primos...). Preconceito manifestado não me lembro de nenhum caso q tenha me marcado, ja o preconceito escondido, onde apenas olhares sao capazes de expor, isso sempre... ser "corta-assunto" dos grupinhos de adolescentes na maioria dos lugares públicos, q quando passo tds param de conversar pra te ver passar... isso foi o q sempre me incomodava, ter q ir em qualquer lugar e ser reparada por todos, sempre me intrigava e muitas vezes me escravizava a ponto de optar nao ir, tipo nos dias de TPM braba por exemplo... kkkkkk
Eu sempre fui uma pessoa descolada, carismática, nunca deixava me abater por tanto tempo, minha vida toda me "preparei" psicologicamente pra cadeira de rodas, pois tenho um irmão com o mesmo diagnóstico. masss a teoria é bemmmm distante da prática , rsrs e dos 14 aos 16 anos, onde era nitido q realmente tava perto de pegar a cadeira de rodas, foi dificil, nao foi constante, mas nao foi nada facil aceitar isso...evitei ao maximo esse dia kkkk (faz parte) eu era muito rueira, da "baguncinha" rsrs a dificuldade para andar foi chegando e eu fingindo q nada tava acontecendo, saia com as amigas carregada nas costas, de bicicleta e fazia meus pais tbm me carregarem... ate q um dia eu e uma amiga combinamos de ir num festival de reggae ( o som q eu mais amava) e na hr de ir, ela me disse: Su só vamos se vc levar a cadeira, nao tem como ir sem né?! E eu tipo: 😳😯😱 e depois de alguns segundos "paralisada" falei: ta né ( meio apavorada) kkkkk


E desde entaooo percebii quão livre poderia ser... afinal eu dependia muito das pessoas para me locomover.. e foi muito melhor ter aceitado logo
Como eu disse sempre fui meio descolada e era difícil me ver triste e deprimida, mas eu guardava muitos monstros e tristezas por dentro, quem me conheceu via quanto eu era "rebelde", dava de durona pra esconder meus sentimentos oprimidos... e ai Jesus se apresentou a mim, me ajudou a matar todos os monstros q viviam escondidos dentro de mim, naqueles lugares de dificil acesso kkkkk na verdade tem me ajudado todos os dias, e me da uma paz e uma alegria q é impossível de se achar na vida, me presenteou com um marido abençoado e maravilhoso. Se sou feliz? Muito mais que isso!
É possivel sim ser feliz com poucos movimentos, ou ate mesmo sem braço ou pernas ou sem os dois, pq o q te faz feliz nao são membros , mas por experiência própria, a felicidade, a alegria, a paz, e tudo o mais q precisamos, q desejamos para uma vida top de linha, esta em Jesus, e acredite: ELE É O ÚNICO QUE PODE MATAR OS MONSTROS QUE NÓS MESMO "ALIMENTAMOS"! Que Ele possa se apresentar a vocês e possam entender que nossa dependência deve estar NELE e não em nossas cadeiras, muletas ou qualquer acessório que nos ajude em nosso dia a dia, ou pessoas q conduzem nossas cadeiras e nos ajudem em algo que nós não fazemos sozinhos, pois sem nenhuma dúvida afirmo: poderíamos ter todos nossos membros funcionando perfeitamente , uma vida estável , mas sem ELE continuaremos com nosso vazio preenchido por sonhos inalcançáveis e monstros escondidos!

Ninguém assovia para a mulher na cadeira de rodas

15:54:00


Texto de Kayla Whaley. Publicado originalmente com o título: “Nobody Catcalls The Woman In The Wheelchair“, no site The Establishment em 26/01/2016. Tradução de Bia Cardoso para as Blogueiras Feministas.



Dentro dos espaços feministas, é assumido que #TodasAsMulheres experimentam assédio em locais públicos. As maneiras pelas quais esse assédio se manifesta — a idade em que começa, sua intensidade ou forma, as conseqüências de denunciar — podem variar dependendo das diferentes características da pessoa. Mas todas as mulheres, segundo nos dizem, conhecem o medo, a vergonha e/ou a raiva que vem junto com a atenção sexual indesejada.

É compreensível a existência dessa presunção. Quando trabalhamos a partir de um fato da realidade sendo uma verdade coletiva é mais fácil discutir as nuances, as diferenças e as complexidades envolvidas nesse miolo. É mais fácil construir discussões dinâmicas internas a partir da sólida base de uma experiência em comum.

Esta é uma suposição útil — mas também é prejudicial.

Eu sou uma mulher de 26 anos de idade que nunca foi assediada na rua. Eu nunca recebi assovios em meu caminho para a escola, ninguém buzinou para mim num estacionamento, ninguém me olhou de forma maliciosa num trem, não me apalparam na fila da Starbucks, ou qualquer outro tipo de assédio sexual que ocorrem em locais públicos. Eu não tenho medo de sair de casa porque terei que evitar homens agressivos ou insistentes. Eu não preciso mapear mentalmente várias rotas para casa, procurando locais onde eu possa ser menos abordada.

Eu não sei o que são o medo, a vergonha e/ou a raiva que vêm junto com a atenção sexual não desejada. Entretanto, uma parte de mim, que não é insignificante, deseja sentir isso.



Eu não sou excepcionalmente sortuda, nem estou exagerando, ou sublimando isso tudo. Eu sou uma usuária de cadeira de rodas: uma mulher que visivelmente tem uma deficiência física. E, minha cadeira de rodas age como um estranho tipo de campo de força. As pessoas veem primeiro a “deficiente” antes de perceberem a “mulher”, e a primeira impressão é a que fica, porque em nossa sociedade capacitista um corpo com deficiência é automaticamente um corpo dessexualizado. Somos pessoas grotescas ou trágicas, excêntricas ou anjos, existimos para sermos temidos ou lamentados dependendo de como o olhar capacitista nos vê naquele dia. Porém, não importa como nos olham, não somos desejáveis.

Mesmo aos vinte e poucos anos, o fato de eu nunca ter sido assediada nas ruas parecia ser mais uma evidência para sustentar a crença de que eu não poderia ser sexualmente desejável. Alguma parte traiçoeira e insistente de mim obviamente acreditava que eu nunca poderia atrair nenhum homem decente, sendo assim, atrair os piores tipos de homens era o melhor que eu poderia esperar. Se eu não conseguisse fazer nem mesmo isso, então talvez realmente meu corpo fosse totalmente inútil.

Eu invejava minhas amigas quando elas falavam sobre o quanto dói ser reduzida a nada além de um objeto sexual. Eu odiava que isso as machucasse e na maioria das vezes entendia porque isso acontecia. Eu também sabia que o assédio em locais públicos era frequente e estava aumentando; que as mulheres que rejeitavam essas abordagens podiam ser feridas ou até mesmo mortas.

Porém, da mesma maneira que odiava meu ciúme, eu ansiava por um assovio desconhecido direcionado para mim. Apenas uma vez, eu queria que um homem olhasse para mim de soslaio em algum lugar, obviamente imaginando todas as coisas que ele poderia fazer com meu corpo. Eu criei fantasias com homens me seguindo pelo campus da universidade, dizendo: “Oi, gostosa! Por que não vem aqui um minuto, gatinha?”.

Por que minha experiência é tão invisível para a comunidade feminista?

Quando procurei abrigo em espaços feministas na internet — supostamente espaços seguros — à procura de apoio, o que encontrei foram discussões intermináveis sobre a onipresença do assédio em locais públicos. Ali estava uma verdade universal de que o assédio é uma consequência do sexismo, da misoginia e da cultura do estupro. E que isso era algo que todas as mulheres podiam entender e reagir contra. Ali estava nossa experiência unificadora.

Encontrei o feminismo e pensei: talvez eu também seja ignorada aqui.

Eu não espero que todos os debates sobre assédio em locais públicos tenham que começar com uma nota explicativa, e eu certamente não espero me ver refletida em cada texto, artigo ou tweet sobre o assunto. Mas essa notória suposição útil de que “Todas as Mulheres Vivenciam o Assédio Nas Ruas” é inevitavelmente excludente. Essa não é a intenção, mas como as feministas devem saber, a intenção não elimina os danos.

Ninguém tem a intenção de dizer que se uma mulher não estiver dentro da maioria que enfrenta o assédio em locais públicos, então elas não contam, mas no entanto, essa conclusão está lá. Apesar das melhores intenções, a forma como as feministas tendem a discutir o assédio em locais públicos, como um fato concreto para todas, reforça conceitos capacitistas dentro do feminismo, porque é apenas um elemento da questão se o seu corpo é visto pelo patriarcado como um objeto sexual. O meu não é.

Além disso, esta suposição ignora uma forma diferente de assédio enfrentada pelas pessoas com deficiências. O assédio, afinal, não é realmente sobre sexo, mas sobre poder — e meus assediadores me machucam pelo poder da dessexualização. Eles usam comigo a mesma voz que usariam com uma criança de 3 anos. Eles passam a mão na minha cabeça como fariam com um cachorro. Eles olham para minha cadeira enquanto mandam suas crianças ficarem quietas e não fazerem perguntas. É mais preconceito que assédio sexista (vindo de todos os gêneros) que experimento em abordagens frequentes nas ruas.

Essa dessexualização também me torna vulnerável ao abuso. Embora as mulheres com deficiência não sejam frequentemente vistas como objetos sexuais, há maior probabilidade de que sejamos estupradas e abusadas sexualmente do que as nossas semelhantes sem deficiências. Quando você internaliza em conjunto a ideia sexista de que as mulheres são valiosas por causa de seu potencial sexual (para os homens) e a ideia de que você não tem qualquer potencial sexual, você pode se tornar uma presa fácil.

Eu não fantasio mais sobre ser assediada, mas eu senti uma emoção inegável uma vez no ano passado quando um cara me enviou mensagens no OKCupid dizendo: “chupa meu pau, gostosa”. Eu não respondi, mas mantive isso guardado por um tempo. Sua presença era quase reconfortante. Naturalmente, esse conforto estava atrelado com a insuportável culpa e ódio por mim mesma, mas eu me apeguei com força.

Eu não sei se vou parar de querer esse selo patriarcal de aprovação — ou a aprovação feminista para esse assunto. Talvez um dia, a maneira com que eu me relaciono e interaja com o meu corpo vai significar mais para mim do que o modo como o resto do mundo me trata. Por enquanto, talvez, seja suficiente falar e ser ouvida.

Reconhecimento. Isso é tudo que eu peço.

Autora

Kayla Whaley tem formação na Clarion Writers’ Workshop e é editora naDisability in Kidlit. Também tem textos publicados nos sites The Toast, The Establishment, e Uncanny Magazine. Ela vive fora de Atlanta com muitos livros e um número ainda não suficiente de gatos, mas pode ser encontrada com mais frequência sendo sincera na Internet. Twitter: @PunkinOnWheels.


Viagem acessível para Gramado e Canela-RS!

05:06:00


Viajar é tão bom... Basta juntar uma graninha, escolher um destino e partir... Mas, para nós cadeirantes não é tão simples assim.

Geralmente quando viajo, eu não faço pacotes com nenhuma agência de viagens porque sinto que eles não estão preparados, muitos não sabem indicar hotéis que realmente atendem as nossas necessidades, a maioria não conhece a acessibilidade dos pontos turísticos e nem lembram da questão do transporte.

Por todos estes motivos, eu mesma pesquiso e monto o meu "pacote" e cuido de todos detalhes para a viagem ser perfeita. Porém, canso de ligar para muitos lugares e ouvir que eles não são preparados para me receber.

Sabendo de toda essa dificuldade que passamos, quis montar este post para dar algumas sugestões de passeios totalmente acessíveis e prazerosos!

Recentemente fui passar um final de semana na Serra Gaúcha, e aproveitei pra conhecer alguns pontos turísticos que ainda não conhecia.

Te convido para assistir o vídeo a seguir e ver como foi o meu passeio. Tenho certeza que você vai amar e até se animar pra vir conhecer o meu estado...



HOTEL
Como vocês viram no vídeo, o hotel que fiquei foi o "Villa Bella", ele realmente é TODO acessível e ainda conta com a equipe de funcionários que recebe treinamentos para nos receber.

Além de todo o acesso para cadeirantes, eles também possuem cardápio em braile, funcionários que sabem a língua de sinais e as tomadas, pias, buffet, ficam numa altura perfeita para as pessoas com nanismo.

Você pode fazer sua reserva pelo site, e logo em seguida eles entram em contato com você para saber se precisa de algo específico para auxiliar durante sua hospedagem.

O Villa Bella conta com diversos quartos equipados especialmente para pessoas com deficiência e mobilidade reduzida. Porém, as suítes também são enormes e qualquer cadeirante pode se hospedar nelas facilmente.

Existem várias opções de quartos e suítes, com diferentes tarifas. Você pode se informar sobre isso, pelo site www.hotelvillabella.com.br

TRANSPORTE TURÍSTICO
Andar de Bustour foi uma experiência fantástica!

A rampa de acesso funciona manualmente, é super fácil  "estacionar" a cadeira no local reservado, tem cinto, e todos os meus embarques e desembarques foram tão fáceis que não levaram mais de poucos minutos.

Me senti tão á vontade que desembarquei e embarquei 8 vezes no total, e se eu quisesse podia ter sido muito mais, só não fui porque a chuva me atrapalhou um pouco.

O ingresso pode ser comprado pelo site, ou dentro do Bustour. Existem várias opções de ingressos, acesse o site e confira os valores www.bustour.com.br

PASSEIOS

Rua Coberta
A Rua Coberta fica no centro de Gramado, nela tem vários restaurantes e em ALGUNS até tem acesso.
Mas se você quer almoçar ou jantar por Gramado, eu sugiro que você vá andando pelas ruas e procurando algum lugar, pois não é fácil encontrar restaurantes que dê pra gente entrar. Muitos são em prédios antigos, o que não são obrigados perante a lei a se adaptar... Fazer o quê, né!?

Mas depois de pouco tempo procurando, logo achei um restaurante que eu pude entrar. Assim como as "chocolaterias" que vendem chocolate quente que tem por lá.

O banheiro público, pertinho dá Rua Coberta, oferece banheiro adaptado e muito limpo!

Lago Negro
O Lago Negro sempre foi meu lugar preferido. Além de ser gratuito (que é bom), o clima é muito agradável e o pessoal fica sentado na grama olhando a linda paisagem e tomando chimarrão (que eu amo). 

Recentemente colocaram piso tátil para as pessoas com deficiência visual. O banheiro de lá também é adaptado e muito limpo. Até "bati um papo" com a "tia" que cuida dos banheiros.

Fábrica de Cristais
Na Fábrica de Cristais a entrada é gratuita. Lá eles oferecem uma demonstração de como eles criam as peças, é muito legal! 

A loja deles é fantástica, uma peça mais linda que a outra. Só fiquei com medo de quebrar alguma coisa, mas sai de lá sem quebrar nada!

Bondinhos Aéreos
Eu fiquei apreensiva por não saber como eu entraria dentro do bondinho, mas quando cheguei lá, vi que o local era todo projetado pensando na gente, tem rampas para até o local para embarcar no bondinho e também rampas móveis que eles colocam para eu entrar nele, como mostrei no vídeo.

Foi muito legal, a vista é incrível! Lá de cima pude ver a famosa Cascata do Caracol.

Os ingressos podem ser comprados no local, as pessoas com deficiência pagam meia entrada (R$ 21,00).

Com certeza, esse final de semana foi um dos mais lindos que eu e minha família tivemos e certamente você não irá se arrepender se embarcar numa aventura como esta!


Caso tenha alguma dúvida, pode entrar em contato comigo pelo e-mail cantinhodoscadeirantes@hotmail.com


Pessoas com deficiência têm direito de receber um salário do Governo?

05:00:00


O Benefício da Prestação Continuada (BPC), previsto na Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS), é a garantia de um salário mínimo mensal concedido ao idosos com mais de 65 anos e também para pessoas com deficiência.

No caso da pessoa com deficiência, não há limite de idade, mas precisa ficar comprovado que o cidadão tem impedimentos de natureza física, intelectual ou sensorial com efeitos há no mínimo dois anos, impossibilitando a participação na sociedade (trabalhar, estudar, etc).

Para ter direito é necessário que a renda por pessoa do grupo familiar seja menor que R$ 234,25, ou 25% do salário mínimo. O valor atual do salário mínimo nacional é R$ 937,00 (novecentos e trinta e sete reais).

O conceito de família do BPC envolve o beneficiário (titular do BPC), seu cônjuge ou companheiro, seus pais, sua madrasta ou padrasto (se pai ou mãe estiverem mortos), seus irmãos solteiros, seus filhos e enteados solteiros, e também menores sob sua tutela. Todos morando na mesma residência.


O BPC é assistencial, por isso não é necessário ter contribuído ao INSS para ter direito, mas o ele não paga 13º salário e não deixa pensão por morte, não pode ser acumulado com outro benefício como aposentadorias e pensões, exceto com benefícios da assistência médica, pensões especiais de natureza indenizatória e remuneração de aprendizagem. O beneficiário tem a obrigação de declarar que não recebe outro benefício da Seguridade Social.

Uma boa forma de esclarecer dúvidas sobre o BPC é procurar um Centro de Referência de Assistência Social (clique aqui para saber o endereço do CRAS na sua cidade).

Você também pode agendar uma consulta em um posto do INSS. Clique aqui para fazer o agendamento. Ou ligue para o telefone 135, que atende de segunda-feira a sábado, das 7h às 22h.


Documentos – Para receber o BPC é necessário estar no CadÚnico – Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal, instrumento que identifica e caracteriza as famílias de baixa renda.

Além disso, o cidadão precisa apresentar documento de identificação e CPF do titular. Para quem tem mais de 16 anos, poderá ser solicitado documento de identificação oficial com fotografia. É preciso levar ainda um documento de identificação e procuração se a pessoa que comparecer ao INSS for representante legal do requerente.

O requerente deve imprimir, preencher e assinar o Requerimento do Benefício de Prestação Continuada da Assistência Social (BPC) e Composição do Grupo Familiar. E também o Formulário Único de Alteração da Situação do Benefício, quando o requerente já recebe algum benefício, mas quer renunciar para ter direito a outro.

Via:brasil.estadao.com.br

Conheça o cinto que pode auxiliar as suas transferências

18:10:00

Gosto sempre de compartilhar novidades que servem para facilitar nossas vidas, e uma dessas novidades é o cinto de transferência que recebi da marca S2 MED.

O cinto serve para ser colocado na cintura do cadeirante e com auxílio de outra pessoa, é possível fazer a transferência em situações, como por exemplo; da cadeira de rodas para a cama, do sofá para a cadeira, da cadeira para o carro e muito mais...

Existem guinchos que também são usados para transferência, mas os valores são altíssimos. Por isso, este cinto acaba se tornando uma ótima opção, pois o valor dele é muito menor e também funciona.

No vídeo a seguir a senhora que utiliza o cinto consegue se manter em pé. Porém, ele também pode ser utilizado por cadeirantes, pois invés de pegar por baixo dos braços, é possível que o ajudante pegue pelas alças do cinto.
Assista:



Você também pode ter o seu!!!
O cinto de transferência da S2 MED está custando 330,00 e pode ser adquirido através do site www.s2med.net , ou também pode pelo e-mail contato@s2med.net , ou ainda pelo telefone +55(11) 98466-4939



Conheça Gustavo Paixão...

04:36:00


No dia 20/04/2004 eu vinha da faculdade e ao sair de um sinal, um carro saiu da garagem do apartamento e sem me ver bateu na minha moto. Meu joelho bateu no carro e cortou, assim que vi o corte, desmaiei em cima da moto e ao cair  acabei quebrando a C5 e C6. 

Assim que cai no chão, me acordei e tentei levantar mas não movimentava mais nada. Nessa mesma hora estava passando uma moça que foi me socorrer

No dia 24 de abril de 2004 (dia do meu aniversário) entrei no centro cirúrgico e lá fiquei por 7hrs. 

Fui para casa depois de dois meses internado e fiquei com equipe médica me acompanhando em casa.

Nesse tempo, a ex namorada me ligou dizendo que o nosso relacionamento não dava mais, perguntei o motivo e perguntei se ela poderia ir em minha casa para conversar melhor mas ela disse que infelizmente não dava, que estava terminado ali mesmo e que ela era nova e precisava estudar e etc... Foi baque mas superei.

A moça que me socorreu na hora do acidente sempre ia no hospital me visitar, e comecei perceber bastante intimidade dela com meu irmão mais novo... Meses depois fiquei sabendo que ela estava grávida do meu irmão... Maior felicidade em saber!

Fui para o Sarah Kubitschek e lá vi casos bem piores que o meu e muitas pessoas alegres, isso foi bom pra mim que reclamava do que eu estava passando.

Lá no hospital internado, ainda deu até pra rolar algumas paqueras com as acompanhantes dos pacientes... hehehe. Tive umas 6 namoradinhas.

Tive alta e retornei pra casa namorando com uma que morava no interior da Bahia, mas não deu certo por causa da distância... mas até hoje somos amigos.

Logo depois ao retornar para casa, tive que ser internado novamente. Lá o médico prescreveu para eu fazer fisioterapia e me apresentou uma fisioterapeuta com especialização em neurologia.

Todos os dias ela ia fazer fisioterapia em mim e ficávamos conversando e fomos nos conhecendo aos poucos. 

No dia que o médico me deu alta, ela chegou para fazer fisioterapia mas eu já estava de saída, então ela perguntou se eu iria fazer mesmo assim e eu disse que iria sim porque quando fosse para casa não iria ter mais ela para fazer fisioterapia. E ela levou isso como uma cantada minha. 

Ao terminar trocamos telefone e-mail e ficávamos depois conversando até tarde no antigo MSN.

Nessas conversa pelo MSN ela falou que era preceptora de uma faculdade particular e que os alunos estagiavam no bairro em que eu morava fazendo atendimento domiciliar, perguntou se eu queria fazer parte e eu disse que sim.

Com isso, todas as noites e ela começou a frequentar minha casa e dai começou a rolar um sentimento entre nós que não era só amizade... Mas, ela tinha medo pois estava em um relacionamento o qual não ia bem, foi aí que eu disse pra ela para fazer o que o seu coração estava mandando e assim ela fez... Ficamos juntos!

Foi uma decisão bem difícil que gerou muitas outras reações, a família dela botou muita pressão e perguntava porque ela tinha deixado um relacionamento de oito anos para ficar com um rapaz na cadeira de rodas.

Mas não deixamos ninguém nos abalar e só coisas boas começaram a acontecer...Com um ano de namoro, nós noivamos. Depois de um ano de noivado, nós compramos nossa casa e fomos morar juntos. No primeiro dia que dormimos na casa nova, ela engravidou e depois de três meses casamos na igreja!

Pensávamos que depois disso tudo seria só felicidades, mas depois de três anos minha esposa descobriu que eu estava com câncer no pâncreas. 

Tudo começou a desandar e todos estávamos preocupados sem saber o que fazer. 

Depois da cirurgia muitas coisas mudaram...Fomos atingidos por muitas energias negativas em cima de nossa relacionamento, cheguei a ouvir que o câncer que minha esposa teve foi por causa de mim.

Minha esposa no momento de fraqueza dela foi na onda da mãe e disse que era melhor nós nos separar. Vendemos tudo e fui morar com minha mãe. 

Um ano depois comecei a procurar um apartamento para eu comprar, mas ela começou a me chamar e dizer pedir a separação foi a pior besteira que ela fez na vida e que nossa filha só perguntava por mim e ela sentiu bastante falta dos momentos que vivemos... Até hoje ela se arrepende.

Conversamos bastante e acabamos decidindo em tentar novamente, e com isso voltamos a  morar juntos. 

Para nossa alegria, assim que voltamos ela engravidou de novo! Mas agora foi um menino e coloquei o meu nome no meu filho

Depois de tudo que passamos, hoje faz 4 anos que voltamos,  nossa primeira filha está com 7 anos e nosso filho com 2 anos. Aos trancos e barrancos estamos juntos até quando Deus quiser.

Diante das dificuldades da vida vamos vivendo como se fosse o último dia.


Pessoas com deficiência terão direito de comprar fraldas geriátricas com até 90% de desconto

18:20:00


Uma portaria do Ministério da Saúde, publicada hoje no Diário Oficial da União, amplia o direito de retirada de fralda geriátrica pelo programa Farmácia Popular.

Conforme informações da Agência Brasil, o benefício era exclusivo para pessoas com mais de 60 anos até hoje, data da publicação da portaria. Agora, foi estendido para pessoas com deficiência, independentemente da idade.

Para conseguir o desconto na hora da compra, os responsáveis legais das pessoas com deficiência devem apresentar prescrição e laudo ou atestado médico que indique a necessidade do uso da fralda. No documento, deve constar a respectiva Classificação Internacional de Doenças (CID). Além disso, é necessário apresentar a declaração de responsável legal.

O Diário conversou com gerentes de três redes de farmácias de Santa Maria que são conveniadas ao programa Farmácia Popular. Nenhum deles tinha conhecimento da portaria até a tarde de ontem.

Os gerentes explicaram que essas portarias são normalmente informadas pelo governo por meio de comunicados. Para fazer a efetivação da compra pelo paciente, é necessário que o sistema automatizado do DataSus autorize a transação.

As fraldas distribuídas pelo programa não são gratuitas, mas têm descontos dependendo do tipo.

Via: diariodesantamaria.clicrbs.com.br

“Há chance de eu voltar a andar”, conta ex-atleta Laís Souza

17:08:00

Faz pouco mais de um mês que a ex-atleta Laís Souza, 28 anos, voltou dos Estados Unidos com essa notícia na bagagem. No início de fevereiro, Laís esteve em uma consulta com o médico Barth Green, do Miami Project, e ouviu dele a informação de que existe a possibilidade de que ela ande novamente. Em 2014, ela ficou tetraplégica depois de um acidente enquanto treinava para as Olimpíadas de Inverno que, naquele ano, aconteceram em Sochi, na Rússia.

Green, o mesmo médico que cuidou do ator Christopher Reeve, acompanha os progressos que Laís vem experimentando a partir do tratamento pioneiro ao qual ela foi submetida usando células-tronco. A ex-atleta brasileira foi a primeira pessoa nos Estados Unidos a obter uma autorização da Food and Drug Administration – agência americana responsável pela liberação de drogas e tratamentos –  para usar células-tronco em terapia de lesão medular.
Na entrevista a seguir, ela relata as vitórias e tristezas três anos depois.
Como você conseguiu realizar seu mais progresso mais recente?
Usei um extensor que deixa o joelho estendido. As pessoas o utilizam para ficar em pé depois que fazem cirurgia para o joelho. Já ficava de pé, mas com a tala pude fazer coisas a mais com o braço. Ele fica mais solto, o que me permite executar alguns movimentos.
No vídeo dá para ver que você faz um esforço enorme.
Nossa… Fiquei muito feliz. Por isso que postei. A minha pressão não caiu! Fiquei sem desmaiar! Por causa da lesão, minha pressão fica baixa na maior parte do tempo, e quando mudo de posição, quase sempre ela cai.
Que outros sinais de avanços você está conseguindo observar?
Sinto algumas coisas. Algumas áreas no meu braço trepidam, o dedo mexe um pouco, o tríceps pula bastante. Parece que está fibrilando, sabe? E sei que a força do meu abdome e das minhas costas também está muito melhor.
Quando essas sensações aparecem, o que passa pela sua cabeça?
Sentir alguma coisa é sensacional. Até mesmo uma dor que às vezes sinto quando fico tentando muitas vezes passar a mão no rosto ou na perna. Dói, mas não estou nem aí para a dor.
Os treinos deixaram você preparada para lidar com essa sensação?
A dor fez parte do meu aprendizado. Os treinos são acompanhados de muito sofrimento por causa das lesões, os calos na mão. Treinei muito com bolha se abrindo…Isso tudo me deixou com uma armadura que hoje me ajuda a enfrentar o que estou vivendo.
O que mais o esporte ensinou a você? Disciplina?
Ah… (risos). Não sou muito disciplinada, educadinha… Sou meio pancada. Às vezes invento de mudar, de querer fazer os exercícios de fisioterapia de outro jeito. Fico dizendo que podemos tentar isso, aquilo… E meu fisioterapeuta aqui (Robson Lopes) foi o maluco que deu ouvido às minhas invenções. Para um cadeirante não tem protocolo a ser seguido, não tem cartilha. Se estou com vontade de alongar, a gente alonga. Se não dá para treinar no dia, não treino. E a galera toda entra no meu clima.
No mês passado você esteve nos Estados Unidos para mais uma consulta de acompanhamento do tratamento que fez usando células-tronco (elas foram extraídas da medula óssea de Laís, multiplicadas em laboratório e reinfundidas. A esperança é que ajudem na reparação das lesões na medula espinhal da ex-atleta). Qual foi a impressão dos médicos?
O dr. Barth (Barth Green, do Miami Project, importante centro mundial de tratamento e pesquisa da paralisia) acredita que há chance de eu voltar a andar. Fiquei muito, muito feliz. Ele falou em inglês, eu fiquei lá toda concentrada para conferir se era aquilo mesmo que ele estava me dizendo. E era. Quando traduzi para minha mãe (Odete), o coração dela pulsou mais forte.
Como ele justificou essa previsão?
Ele disse que a lesão é pequena e que sou muito nova. Conforme o tempo for passando e eu continuar progredindo, vão surgir outros avanços que me ajudarão ainda mais.
Três anos depois do acidente, como foi ouvir isso do médico?
Gosto de viver com o pé no chão, mas quando um médico tão grande quanto ele fala isso, que eu tenho a possibilidade de voltar a andar com a evolução das coisas, não tem como não ter esperança. Eu nunca a perdi. E agora ele a reacendeu um pouco mais.
No seu período de internação você já deu sinais de que sua recuperação era surpreendente.
Sim. Muitos diziam que pelo grau do meu acidente era mesmo para eu não estar sentindo nada, me alimentando por meio de sonda. Mas meus médicos me incentivaram. Diziam ‘ela vai conseguir sair do respirador’ e quando achavam que não conseguiria, eu saí. E eu mesma me surpreendia com minhas pequenas vitórias. Tentava cantar ou eu me alimentar sozinha, por exemplo. Aos poucos fui provando que eu era capaz de fazer isso.
Sua luta inspira muita gente. Você tem consciência disso? Recebe muitos pedidos de ajuda?
Não tenho essa consciência assim tão forte. Mas recebo muitos pedidos de auxílio, de pessoas querendo saber o que eu faço, o nome do meu médico das células-tronco.
Isso cansa você?
Digito as respostas com a boca e às vezes fico exausta. Aí peço desculpas quando não consigo mais.
“Guerreira” é uma das palavras mais frequentes que se ouve a seu respeito. Você se considera uma guerreira?
Acho que sim. Todos os dias abro olho e penso: ‘hoje vou me levantar’. Deixo o chinelo na beira da cama porque sempre penso que no dia seguinte vou me levantar.
E como lida com a frustração de não ver isso acontecer até agora?
Não passo só por essa frustração. Tem a decepção de querer sair com as amigas e não conseguir porque o lugar não é acessível para cadeirante, por exemplo. Isso me deixa triste. Ou coisas mais simples, como deixar o cabelo do jeito que eu gosto e não poder fazer isso.
Nesses momentos, o que você faz para superar a tristeza?
Vejo minha família toda me apoiando, meus amigos. Tento ultrapassar a dor e realmente olhar as coisas positivas. Paro e penso: ‘calma, vamos pensar no que é possível fazer’. Aprendi que tenho que planejar minha vida a adaptando para o meu problema. Eu podia ficar na cama chorando, mas tive muita sorte porque desde que sofri o acidente não houve um dia que não tenha passado um anjo na minha vida para me trazer palavras de força.
Quais foram os momentos mais difíceis até agora?
O primeiro ano teve muitos momentos muito difíceis, de querer parar com tudo. No hospital, por exemplo, a hora de limpar a traqueostomia era bem complicada. Tinha mais dor… Enquanto essas coisas não estavam assentadas, tinha horas que eu não queria mais, achava que não ia dar mais para mim. Foi um período de adaptação difícil para mim, minha família e meus amigos. Enquanto isso não melhorou não fiquei tranquila.
E hoje?
Tenho muitas dores nas mãos e no pescoço. São fortes. E eu odeio tomar remédio, mas tenho que tomar.
E a sua relação com seu corpo?
Não gosto do meu corpo. Tem coisas que me incomodam.
O que, por exemplo?
Meu quadril está mais largo. Eu tinha o corpo muito estruturado e hoje isso me incomoda. Por vaidade mesmo.
Você já namorou depois do acidente?
Sou bissexual. Depois do acidente tive um período de aceitação física minha e simplesmente não quis me envolver com ninguém. E continuo fechada para essas coisas. Meu coração está vazio.
Qual seu principal aprendizado após o acidente?
Uma lição que tirei é que não é porque estou na cadeira de rodas que eu vou ficar parada. Também aprendi a pensar mais antes de agir. E a pensar mais no próximo também. Isso é essencial para ter uma convivência mais apaziguada.
Por que escolheu a Psicologia para estudar?
Pensei em uma profissão que eu pudesse exercer sem me mexer. Comecei agora e estou gostando. Ainda tem uma adaptação, não sei como será minha forma de estudo, se vou escrever usando um computador… Não sei também como farei as provas.
Pela sua experiência, como o Brasil trata o cadeirante?
As autoridades precisam conhecer melhor nossa realidade. Devem ficar mais atentas com calçadas e ruas, por exemplo. Na semana passada, descemos numa rua que tinha rampa de um lado e não no outro.
Como a cadeira ia subir do outro lado?
Temos que continuar na luta para abrir os olhos das autoridades e da sociedade como um todo.
Como você está conseguindo pagar seu tratamento?
Tenho uma pensão que recebo do governo e também dou palestras.
Quanto você recebe do governo?
O que ganho paga meus remédios. Mas com certeza não é suficiente para as outras despesas. Sustento minha família, que está aqui para me ajudar. Meu fim de mês acaba no vermelho. Se eu não for atrás de ganhar dinheiro, as coisas complicam.
Assim que as Olimpíadas acabaram, muitos atletas ficaram sem patrocínio e estão passando por situações difíceis agora. O que pode ser feito para mudar essa prática tão comum no Brasil?
Próximo de um grande evento é natural que todas as empresas queiram estar lá. Passou o calor, é difícil que elas continuem. Elas não pensam com o coração. Entendo esse pensamento, mas as companhias deveriam pensar um pouco mais com o coração e fazer contratos de patrocínio mais longos. Mas estamos muito longe de chegarmos no nível do que acontece no futebol.
A ginástica sofre bastante?
Sim. A maioria mora longe, pega ônibus, paga a comida do bolso para competir pelo clube.
O que você gostaria de dizer ao País que lhe admira tanto?
Continuem rezando, torcendo por mim. E que continuem fortes. Estou aqui sem movimento, passando por coisas muito difíceis. Mas todos têm problemas. E é possível enfrentá-los.
Fonte: ISTO É
Foto: Google

Médico toca e canta para menina com doença rara dançar e vídeo viraliza: 'Maravilhoso'

17:04:00


Um vídeo gravado na ala de oncologia do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) e que mostra uma paciente mirim dançando enquanto um médico da instituição toca um ukelele viralizou nas redes sociais e foi assistido mais de 250 mil vezes apenas em sua postagem original. O pediatra Paulo Martins afirma que ficou surpreso com a repercussão e diz que queria apenas tocar uma música para alegrar a pequena Sofia, que tem 1 ano e 4 meses, e sofre de Histiocitose de células de Langerhans.


O momento foi registrado no dia 13 de março. Paulo afirma que levou o ukelele para o hospital com a intenção de tentar alegrar seus pacientes mais novos, que em grande parte são adolescentes com algum tipo de câncer. O profissional explica que sempre tenta aliar os tratamentos mais tradicionais com terapias para animar os enfermos.

“O paciente adolescente tem mais consciência da doença que o afeta e isso acaba gerando uma tristeza, vira um ciclo vicioso e eu combinei com eles que no dia seguinte ia levar um ukelele, aquele instrumento havaiano de cordas, para fazermos um momento bacana e pedi que cada um escolhesse duas ou três músicas para que eu tocasse no dia seguinte”, explica.
Ao notar que o dia estava tranquilo na ala de oncologia, Paulo se reuniu com outras duas médicas residentes e começou a visitar cada um dos pacientes e tocava as músicas escolhidas por eles. Durante o trajeto entre um quarto e outro, entretanto, ele começou a notar que uma pequena paciente o seguia de quarto em quarto para ouvir o ukelele.


“Eu notei que havia uma pequenininha que ficava me observando e era a Sofia. Quando eu saí do último quarto não teve jeito. A Sofia estava lá me olhando de baixo pra cima e o pai pediu 'doutor Paulo, toca uma música pra ela' e eu respondi dizendo que não sabia nenhuma música infantil. Nisso ele me disse que não tinha problema e que eu poderia cantar qualquer música da Marília Mendonça que ela gostaria. Comecei a tocar aquela 'Eu sei de Cor' e o resultado é aquele vídeo maravilhoso”, explica.


Paulo conta que o vídeo foi gravado por acaso após o pedido de uma adolescente que tem câncer e não pode se levantar da cama. Ao ouvir os outros pacientes e médicos relatando o momento em que Sofia começou a dançar ela pediu para que sua mãe fizesse o registro em vídeo.

“Acabou que o vídeo viralizou. Mandaram pra mim, a mãe autorizou e divulgamos. Em 24 horas foram 10 mil compartilhamentos, fugiu completamente do nosso alcance. Eu não imaginava que algo tão simples fosse capaz de repercutir tanto, mas acho que a gente está tão carente de coisas boas, precisando tanto ver coisas boas que acabou sendo abraçado isso”.

Via: G1
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